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Um jantar aberto com pequenos produtores de alimentos orgânicos

Uma das práticas comuns daqui de Londres são os “jantares abertos” – também chamados de Supper Clubs – em que alguém (que pode ser um novo chef, ou uma pessoa que simplesmente goste muito de cozinhar e receber pessoas) organiza um jantar. Geralmente a refeição inclui entrada, prato principal e sobremesa, e quase sempre dentro de uma temática qualquer (pode ser alimentos orgânicos, comida mediterrânea).  Com isso, o anfitrião marca a data e hora, define o local (que pode ser na sua própria residência ou num local reservado, como pubs por exemplo) e abre os convites para venda. A quantidade de pessoas, obviamente, vai do espaço e da disposição de cozinhar do anfitrião: há supper clubs de 8 pessoas que acontece dentro da casa de alguém a eventos com mais de 100 participantes.

O mais bacana do supper club é, de fato, a experiência. Para quem organiza, é uma chance de promover uma causa, divulgar seu restaurante ou simplesmente ter o prazer de receber pessoas. Já para quem vai, o bônus é melhor ainda: é garantia de comer muito, muito bem, e ainda conhecer pessoas. O bacana dos Supper Clubs é exatamente isto: todo mundo come lado a lado numa mesa enorme, onde a conversa é mais do que incentivada.

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(As fotos daí de cima são do Twitter do Farmdrop, site de venda de produtos orgânicos que organizou um dos supper clubs mais maravilhosos ever).

Eu fui no meu primeiríssimo evento do tipo e, sem saber, escolhemos uma temática mais do que especial: era um jantar organizado pelo Farmdrop (o mesmo daí de cima) em parceria com um grupo de pequenos fazendeiros. E se “comida de fazenda” já não fosse suficiente para salivar, o papo ali era ainda mais interessante: a maioria deles são donos de pequenas propriedades (algumas próximas a Londres), produzem alimentos orgânicos e criam galinhas, cordeiros e porcos “free range”: os animais são todos criados soltos, de modo que, já que em algum momento eles terão que ir para o abate, que pelo menos eles estejam bem tratados e cuidados enquanto estão vivos.

Por essa razão, o volume de produção deles é bastante inferior às grandes fazendas industriais, e eles sofrem uma pressão violenta dos supermercados para baixar os preços. Por causa disso, e por causa do valor dos alimentos que está caindo cada vez mais, abaixo até do custo de produção, a Inglaterra tem visto a taxa de depressão e suicídios entre pequenos produtores disparar nas últimas décadas.

Vinha daí a iniciativa de se aproximar com o consumidor final e, com isso, cortar os intermediários (as grandes redes de supermercado como o Tesco e Sainsbury’s). A primeira iniciativa foi o Farmdrop, um site montado em parceria direta com esses produtores em que os alimentos são vendidos frescos (você pode escolher por produtor ou por tipo de alimentação: vegetariana, a mais local possível, etc). Tudo é entregue na sua casa, 18 horas depois (para dar tempo de colher, preparar, etc), como um supermercado qualquer.

Inclusive, eu testei o Farmdrop, e contei como foi aqui.

Mas voltando ao SupperClub em questão: o tal do jantar foi organizado por alguns desses produtores, e devo dizer que se eles já tinham me encantado pela iniciativa, a coisa virou amor para valer mesmo quando chegamos na parte do estômago. As comidas eram absolutamente deliciosas!

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(Mais fotos do Twitter do Farmdrop, que organizou o evento. Eu peço desculpas por não ter fotos próprias, mas a luz estava bem fraca e a câmera que eu tinha no momento era zero potente, então minhas fotos não ficaram legais).

A entrada era aspargos gordos e viçosos, grelhados e servidos com uma calda de hibiscos que era puro sonho – aliás, hibiscus também era a base da bebida servida para a gente. Cordeiro com batatas assado e temperado com cominho e um tipo de alecrim que eu nunca vi na vida (que preciso descobrir para ontem onde comprar porque não sei mais viver sem). O aroma simplesmente tomou conta do salão – tipo um amor coletivo pela comida, antes mesmo da primeira garfada.

Por fim e porque amor pouco é bobagem, a sobremesa era uma torta fofa de frutas vermelhas com creme. Somente espetacular.

Voltei feliz e deliciada com o que eu comi e ouvi. Quem já veio a Londres e comeu por aqui sabe que tem lugares gostosos para se comer, mas infelizmente também não é raro você pagar bem por uma refeição, mas não sair totalmente satisfeito – algo do tipo “é, meu prato estava ok”.

Mas, sobretudo, a conversa que foi uma das partes mais interessantes: é impressionante como a realidade de uma fazenda que produz alimentos é tão próxima da nossa vida, e ao mesmo tempo tão desconhecida. Voltei lembrando de uma frase que eu ouvi certa vez, que dizia que a gente precisa de um banqueiro de vez em quando, um médico de vez em quando, mas precisamos de um fazendeiro pelo menos 3 vezes ao dia.

E aí eu percebi como a gente adora falar de comida, mas conversamos pouco sobre o processo – e quando falamos, rapidamente a coisa vira polêmica. O que é um sinal de que não é discutida o suficiente.

Uma enorme pena: nunca mais vi este SupperClub de produtores regionais de novo, mas estou curiosa para saber como isso funciona no Brasil. Alguém já descobriu algo desse tipo? Por favor, dá a dica aqui! 🙂

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Para quem quiser mais informações sobre Supper Clubs:

No Brasil: Eu conheci o site Eatwith, que não é exclusivo do Brasil mas que tem eventos em várias cidades e funciona de forma semelhante. Acho iniciativas assim uma oportunidade fantástica para conhecer pessoas interessantes, fazer amigos e comer bem!

 

Em Londres: O melhor site que compila as dicas atuais de supperclubs que estão rolando pela cidade é o GrubClub. Tem dicas de supperclubs temáticos por comida, por época do ano, por vibe, por tudo nessa vida. Amo. E tipo, é um ótimo programa para quem vem para Londres sozinho ou quer conhecer gente diferente. Foi aqui que descobrimos o tal do jantar orgânico!

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Clarissa Donda

Jornalista, blogueira, profissional de marketing e, agora, guia de turismo. Sou uma apaixonada por histórias de lugares e de pessoas, e resolvi trazer essa paixão do texto para as ruas quando topei o desafio (e as intermináveis horas de estudo) de me certificar como guia Blue Badge, a mais alta certificação em Londres. É uma viagem deliciosa, que tenho um enorme prazer em compartilhar!

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